quarta-feira, 5 de abril de 2017

A FILÓ E O PILOTO

Na minha aldeia viviam
Dois cães muito pachorrento
Brancos com manchas castanhas
E com muitos sentimentos

Era a filó e o piloto
Os seus donos faleceram
Para terem algum conforto
À minha porta bateram

Veio o piloto primeiro
Sentindo-se muito só
No outro dia lampeiro
Trouxe consigo a filó

Olhei-os bem no focinho
Convidei-os a entrar
Dei-lhes comida e carinho
E um lugar para ficar

A filó e o piloto
Melhores amigos não havia
Nunca andavam um sem o outro
Quer de noite quer de dia

Tiveram vários episódios
Mas houve um que me marcou
Quando a gata teve filhotes
Veio um carro e a matou

Fiquei tão desesperada
Sem saber o que fazer
Aqueles cinco gatinhos
Como iriam sobreviver

Arranjei um conta gotas
Para os alimentar
Não consegui, desisti
E parei para pensar





Olhei para a filó
Também tinha cachorrinhos
Pedi-lhe... olha tem dó
Dá de mamar aos gatinhos

Ela com muitos carinhos
Para não os magoar
Aninhou-se nos gatinhos e ali lhes deu de mamar

A filó dia após dia
Numa correria louca
Muito feliz e para onde ia
Levava os gatos na boca

Como a família era grande
Os cachorros iam a andar
O piloto muito atento
Sempre pronto a ajudar

Mas não fica por aqui
Esta história do passado
Certo dia trouxe para ali
Um frango envenenado

Pois esta aventura rara
Muito cara lhe saiu
A língua ficou enxada
Rocha e depois caiu

Sofreu mas venceu o mal
Esta bela cadelinha
Viveu anos apòs tál
Depois morreu de velhinha

O piloto ficou só
Muito triste se sentia
Pela falta da Filó
Morreu ao oitavo dia

Esta história tem sinais
De sentimentos a valer
Por vezes os animais
Nos ensinam a viver

Zulmira Lourenço 15/06/2010



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